Muitas vezes, a jornada em busca de respostas começa com um sentimento de que "algo está diferente" no desenvolvimento do filho. Pode ser um atraso na fala, a falta de contato visual ou um jeito único de brincar. Na Clínica Neurobrink, em Campo Grande (RJ), sabemos que esse período de dúvidas é desafiador para os pais.
Neste artigo, reunimos as principais observações que podem acender um sinal de alerta e as dúvidas mais comuns para quem deseja iniciar uma investigação de TEA (Transtorno do Espectro Autista).
O autismo é um espectro, o que significa que os sinais variam muito. No entanto, a investigação costuma ser motivada por observações em três áreas principais:
Resposta ao Nome: A criança parece não ouvir quando é chamada, embora a audição esteja normal.
Contato Visual: Dificuldade em manter o olhar enquanto interage ou faz pedidos.
Atenção Compartilhada: A criança não aponta para objetos de interesse nem olha para onde os pais estão apontando.
Atraso na Fala: Ausência de palavras simples aos 18-24 meses ou perda de habilidades de fala que já haviam sido adquiridas.
Interesses Restritos: Foco intenso em apenas um tipo de brinquedo ou assunto (ex: apenas rodas de carrinhos ou ventiladores).
Movimentos Repetitivos: Balançar as mãos (flapping), girar o próprio corpo ou andar na ponta dos pés de forma frequente.
Rigidez com Rotinas: Crises intensas de choro diante de pequenas mudanças no trajeto para a escola ou na ordem das atividades.
Reações extremas a ruídos (como liquidificador ou secador de mãos), luzes fortes ou determinadas texturas de roupas e alimentos.
Sim. No chamado TEA Nível 1 de suporte (antigamente conhecido como Asperger), a criança pode ter um vocabulário avançado e alta inteligência, mas apresentar grandes dificuldades na interação social e na compreensão de ironias ou regras sociais implícitas.
Esta é a dúvida mais frequente. O atraso de fala isolado pode ser um Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL). No TEA, o atraso de fala vem acompanhado de desafios na comunicação não-verbal (gestos, expressões faciais e intenção de interagir).
Na verdade, o diagnóstico é uma chave de acesso. Ele permite que a criança receba as terapias corretas e que a escola faça as adaptações necessárias. Sem o diagnóstico, a criança pode ser cobrada por habilidades que ela ainda não consegue exercer, gerando frustração e ansiedade.